vida devia ser como prateleira de supermercado:
No começo, você pega só o que precisa pra viver. Vê as opções, compara preços e decide o que parece melhor pra você.
Daí sobra o dinheiro para os supérfluos - mas não menos importantes: o chocolate que você gosta, a mostarda marrom pra salada e o shampoo anti-resíduos.
Por fim, olha tudo e confere o prazo de validade.
Se algo estiver vencido, não leva pra casa e pronto.
Pior.
Ainda vai reclamar com a gerência.
Como toda mulher não grávida, uma vez por mês passo pelo período “mulher-monstra”. Principais sintomas: dores, olheiras, vontade de se encher de chocolate e barriga inchada. Mas inchada mesmo. Mesmo.
E lá estou eu no trabalho, morrendo de dor, completamente irritada com aquela barriga enorme que mal deixa a calça fechar.
Final do dia, entro no carro decidida a passar na vendinha e comprar um pote de nutella só pra mim. Carro, chave, óculos, botão da calça/zíper abertos. Felicidade.
Chego na vendinha e pergunto para a moça que arruma os sacos de farinha.
-Oi. Vocês têm nutella?
Ela me olha por cinco segundos e diz, com um riso abafado.
-Tem sim. Ali no canto esquerdo.
Nutella na mão, nanda no caixa.
O menininho que organiza as moedas na gaveta me olha e solta uma gargalhada.
-Moça. A sua calça está aberta.
...
-Pode ficar com o troco.
eu não agüento mais os adolescentes que tem a pachorra de invadir os bares que eu freqüento.
não agüento mais ver menininhas vomitando fora da privada e meninos de 17 anos pagando de “mudernos”.
não agüento ter que esperar 20 minutos a mais na fila porque a moçoila de shortinho e bota tenta convencer o segurança de que a carteira de identidade é dela mesmo, apesar de não lembrar direito a própria data de nascimento.
não agüento ter que ouvir um menino sem barba me dizendo que tem 25 anos e que bom mesmo é skol.
sumam!
Segunda-feira, final do dia, 45 minutos de trânsito e um dor de cabeça infernal.
Resolvo parar numa farmácia ao lembrar que, na farmacinha de casa, só existe um remédio horrível, redondo e grande que até alivia a cabeça, mas deixa o estômago pra lá de nervoso.
Estaciono em um minuto, chego no balcão em meio, consigo o remédio certo em dois e avanço para ao caixa em lindos e poucos 5 minutos, considerando a ida à balança e a olhada no preço dos cremes.
Na minha frente, uma moça que termina de pagar o absorvente interno.
Atrás de mim, uma senhora de uns 75 anos, com um termômetro na mão esquerda e uma carteirinha na direita.
“Educação, Fernanda”, diz a minha consciência.
“Pode passar na minha frente, senhora”, diz a minha voz cansada.
Satisfeita pela boa ação, fico de prontidão com o dinheiro perfeitamente contado.
“São R$15,60”, diz a atendente.
“Vocês adoram moedinhas, né?”, diz a senhora.
Neste momento, o tempo reduz e, em total slow motion, a querida velhinha abre a carteira e deixa aproximadamente dois quilos de moedas caírem no balcão.
Eu e meus R$3,50 ficamos ali, olhando e pensando se matamos a senhora ou se saímos sem pagar.
É chá do que mesmo que é bom pra dor de cabeça?
caso você digite no Google "Britney Spears", depois do terceiro resultado, o deus das buscas questionará:
Ver resultados para: britney spears sem calcinha
- oi! você sabia que, pra montar um cubo mágico, tudo que você precisa são alguns algoritmos que devem ser repetidos de acordo com a linha em que você está?
-oi! sabia que dá pra estourar um milho de pipoca com uma lupa e o sol? Tipo do mesmo jeito que você queimava formiga quando era pequeno. Nunca queimou formiga com uma lupa? Nem folha?
-oi! segundo as psicologias do corpo, inconscientemente, você aponta os seus pés para a pessoa por quem você está atraído, acredita?
::dedicada::
-oi! cara, se você estiver há 25 metros do seu carro, claro que o alarme não vai funcionar, né? Mas sabia que se você encosta-lo apontado pra cabeça, funciona, porque a sua cabeça age como uma antena?
Há várias formas de passar vergonha em público.
Principalmente quando se está dirigindo sozinha.
Há aquelas que tiram tatu do nariz, aquelas que cheiram a axila pra ver se está tudo certo, aquelas que espremem espinhas horrendas, aquelas que limpam os dentes e aquelas que vão tirar a blusa e acabam pagando peitinho.
Eu sou daquelas que canta como se ninguém estivesse olhando.
Mais que óbvio que, em alguns momentos, fui pega em flagrante berrando algum ié ié ié de alguma música do Justin Timberlake.
Hoje, porém, estava eu, voltando do trabalho nesta segunda-feira chuvosa, tentando me animar o suficiente para não desviar o caminho que fazia em direção à academia.
Para agitar imaginei que cairia como uma luva o querido Mika tocando “Love today”.
Caiu mesmo.
Estava eu, berrando “everybody is gonna love today, love today, LOVE TODAY!” quando percebo que estou sendo observada.
Olho para o lado e vejo, em um carro, dois colegas da firma rindo feito loucos.
Ainda não sei com que cara vou amanhã.
Só sei o que não vou ouvindo.
Pra quem não me conhece bem: prazer, Fernanda Brun, não como feijão.
Não é que eu não goste de feijão. Eu não suporto. De verdade.
Nem o cheiro.
Nem o caldinho.
Eis que, nesta semana, recebo o convite de uma amiga para uma feijoada.
Educada, pergunto: “Mas vai ter algo mais? É que eu não como feijão”.
Atenciosa, responde: “Sim. Pode ficar tranqüila”.
Hoje, dia da feijoada, chego e abraço a amiga.
Ela olha para a cozinha e grita.
“Mãe! A menina do frango chegou. Pode trazer ele pra mesa”.
Pra quem não me conhece bem: prazer, Fernanda Brun, a menina do frango.
em sexta-feira santa não se come carne.
óraite.
como mamãe ainda está nas terras de lá, ficamos aqui abandonados eu, o irmão, o pai e o almoço católico.
até estava decidida a fazer um salmão com bastante manjericão e azeite de oliva, mas a ressaca pós véspera de feriado me presenteou com uma grande e gorda preguiça.
ficou decidido que ligaríamos para um restaurante chinês e comeríamos peixe com legumes.
pra acompanhar, claro, o bom e velho yakimeshi, vulgo arroz coloridinho.
felizes por termos respeitado as regras cristãs, sentamos para almoçar.
-tá, mas isso ali não é presunto – perguntou meu irmão.
Silêncio
meu pai, sensato:
-é. mas esse não conta porque a gente vai comer sem querer.
passada a fase workaholic, decidi voltar à vida normal:
náite no meio da semana, cinema em plena quinta-feira e livros terminados em uma quinzena.
hoje, voltei para o submundo das academias.
para comemorar, claro, cerveja e gorgonzola com torrada.
emprego novo.
duas semanas depois, sede nova.
logicamente, banheiros novos com portas novas e fechaduras novas.
(...)
assistente nova indo ao banheiro novo.
eis que a fechadura nova resolve não abrir mais.
tenta com jeitinho, tenta com força bruta.
nada
tira o casaco e tenta de novo, tipo pote de palmito em conserva, sabe?
nada.
“alguém aí?”
nada.
olha pra cima, pra privada, pra porta e pensa na logística de um pulo bem sucedido antes que notem sua ausência.
no pulo inicial, pra tomar impulso, entra um homem no banheiro.
“opa, desculpa. Ainda não tem placa, não sabia que era feminino”
“não, cara. Me ajuda. Tô presa.”
risada abafada, porta aberta e piada pro resto do dia.
Love has a nasty habit of disappearing overnight
não, não aconteceu nada.
sim, só constatei.
percebi que o que me faz calos nos pés não são mais os sapatos fechados de salto e bico fino e sim os tênis teoricamente confortáveis.
isso deve significar alguma coisa.
Como quase todo mundo, eu tenho uma homônima. O que me difere desta maioria é que a minha, no caso, é a maior cantora gospel do Brasil. Não satisfeita, ela também tem o cabelo preto e longo, franjinha e sorriso largo. Não que isso nos torne fisicamente parecidas, claro.
Enfim. Ser homônima de uma profetiza do senhor me proporciona belos momentos, principalmente orkutianos.
Explico.
Pessoas me adicionam dizendo que eu sou muito importante pra vida delas; me adicionam dizendo que são meus fãs. Me mandam scraps dos mais simples (Fernanda Brun? A cantora gospel?) aos mais cabeludos (que Jesus esteja com você. Eu profetizo).
Mas o melhor mesmo são as comunidades.
“Os tambores de Fernanda Brum”, “Fernanda Brum, princesa de Deus”, “Fernanda Brum é uma benção” entre váaaarias outras.
Humildemente, entrei em umas 10, mas elegi duas como as minhas favoritas.
“Fernanda Brum ta no meu orkut”, que, quando eu entrei, tinha aproximadamente 30 pessoas e agora dobrou de tamanho graças aos meus amigos engraçadinhos.
E a melhor de todas:
“Sonho em tocar para Fernanda B.”.
Gente. São quase 250 pessoas, ali, sonhando em tocar para a Fernanda B. Coisa linda de deus.
O problema é que, um dia desses, olhando minhas comunidades, vi que o nome da minha favorita tinha mudado para “Sonho em tocar com Fernanda B.”. Indignada, deixei um scrap para a moderadora:
“Olá. Estou na comunidade ‘Sonho em tocar para Fernanda B.’ e vi que ela mudou de nome. Por quê? Gostaria que o nome voltasse a ser como era, afinal, eu sonho em tocar para a Fernanda, não com ela”.
A resposta veio rápido:
“Desculpe, Fernanda. É que só podemos tocar para o senhor. Obrigada. Jesus te abençoe”.
Achei melhor não responder.
você se esforça, briga, sofre, enche a cara, acorda cedo, dorme tarde, come pouco, tem crise de riso e de choro então, finalmente, depois de um tempo, organiza sua vida.
daí, depois, você percebe que ela está organizada demais, rotineira demais e previsível demais.
em poucos segundos, muitas ligações, exageradas doses, estranhas conversas e uma pitadinha de pimenta, você bagunça tudo de novo.
daí pára, olha e pensa: que zona é essa?
vai lá e arruma tudo de novo.
deve ser a 3ª vez que eu reorganizo a minha vida em menos de 5 meses.
ainda não decidi como prefiro que ela fique.
Piscava muito.
A mãe, preocupada, levou ao médico.
-Tem problema nas glândulas que lubrificam os olhos. Doença crônica. Vai ter que tratar pro resto da vida.
Dentro da bolsa de veludo carregava sempre o colírio para os olhos verdes. Talvez azuis, não me lembro.
Tatuou no pulso o nome do remédio e a doença que o precedia.
Vai que, um dia, perde a memória.
e eis que o mundo começa a girar para o lado certo...
1ª. considerando que passei a virada com uma calcinha amarela escrito, umas 8 vezes, fortuna, espero que neste belo ano meus esforços se transformem em dinheiro de verdade;
2ª. fernanda brun vai, definitivamente, parar de ser legal com quem não é legal com ela. no more mister nice guy, babe;
3ª. tâmo aí, assumindo as pernas de flamingo. mãe: pode encurtar essas saias;
4ª. conseguir ser organizada a ponto de lembrar o que tenho que fazer na próxima hora ou onde eu escondi o outro par da meia que eu acabei de vestir;
5ª. plantar uma árvore.
E no sétimo dia, Deus disse:
"Que se faça a tv a cabo"