vocativos

Pra quem não me conhece bem: prazer, Fernanda Brun, não como feijão.
Não é que eu não goste de feijão. Eu não suporto. De verdade.
Nem o cheiro.
Nem o caldinho.

Eis que, nesta semana, recebo o convite de uma amiga para uma feijoada.
Educada, pergunto: “Mas vai ter algo mais? É que eu não como feijão”.
Atenciosa, responde: “Sim. Pode ficar tranqüila”.

Hoje, dia da feijoada, chego e abraço a amiga.
Ela olha para a cozinha e grita.
“Mãe! A menina do frango chegou. Pode trazer ele pra mesa”.

Pra quem não me conhece bem: prazer, Fernanda Brun, a menina do frango.


 

conformismo

em sexta-feira santa não se come carne.
óraite.
como mamãe ainda está nas terras de lá, ficamos aqui abandonados eu, o irmão, o pai e o almoço católico.
até estava decidida a fazer um salmão com bastante manjericão e azeite de oliva, mas a ressaca pós véspera de feriado me presenteou com uma grande e gorda preguiça.
ficou decidido que ligaríamos para um restaurante chinês e comeríamos peixe com legumes.
pra acompanhar, claro, o bom e velho yakimeshi, vulgo arroz coloridinho.
felizes por termos respeitado as regras cristãs, sentamos para almoçar.
-tá, mas isso ali não é presunto – perguntou meu irmão.

Silêncio

meu pai, sensato:
-é. mas esse não conta porque a gente vai comer sem querer.


 

cheers!

passada a fase workaholic, decidi voltar à vida normal:
náite no meio da semana, cinema em plena quinta-feira e livros terminados em uma quinzena.
hoje, voltei para o submundo das academias.
para comemorar, claro, cerveja e gorgonzola com torrada.


 

anedotas da fiRma

emprego novo.
duas semanas depois, sede nova.
logicamente, banheiros novos com portas novas e fechaduras novas.

(...)

assistente nova indo ao banheiro novo.
eis que a fechadura nova resolve não abrir mais.
tenta com jeitinho, tenta com força bruta.
nada
tira o casaco e tenta de novo, tipo pote de palmito em conserva, sabe?
nada.
“alguém aí?”
nada.
olha pra cima, pra privada, pra porta e pensa na logística de um pulo bem sucedido antes que notem sua ausência.

no pulo inicial, pra tomar impulso, entra um homem no banheiro.
“opa, desculpa. Ainda não tem placa, não sabia que era feminino”
“não, cara. Me ajuda. Tô presa.”

risada abafada, porta aberta e piada pro resto do dia.


 

sabedoria beatleana

Love has a nasty habit of disappearing overnight

não, não aconteceu nada.
sim, só constatei.


 
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